terça-feira, 23 de maio de 2017

Experiências de leitura, experiências de vida.







              Lê Comigo?

O encontro  entre os nossos  alunos leitores, o projeto LÊCOMIGO e  os alunos da Universidade  Notre Dame ( Indiana, EUA), proporcionou ricas experiências de vida e  de leitura. Embora sendo de contextos culturais e sociais bem  diferentes, as histórias de cada grupo foram compartilhadas, permitindo um rico diálogo entre os falantes do português e os  falantes  do inglês. Intérpretes  e leitores pareciam falar a mesma língua. 
A literatura nos ajuda a viver. E como!
Agradecemos muito pela oportunidade, e principalmente pelos livros  de literatura, em língua inglesa, que ganhamos. Firmamos aqui o nosso compromisso em levar adiante o projeto LÊCOMIGO em outros espaços que, como nós, desejam despertar o prazer  pela  leitura



Maria apresenta as ações já realizadas pelo projeto LÊCOMIGO e
fala da importância de levarmos o projeto adiante. 

Professor Rafael ,da Universidade Notre Dame ,
Diretora Assistente (no Brasil), Thais Pires e Matheus (LÊCOMIGO).

Vivência de leitura entre os grandes leitores do fundamental.


Atividade :Escolher um livro e fazer dedicatória
aos novos leitores.

A professora de inglês, Ana Claudia, e seus alunos leitores agora terão
um acervo só para eles.


Ana Claudia  nem fica   feliz  com os novos livros para o nosso acervo...

Uma equipe, parceira do projeto , desenvolve
atividades de integração entre os participantes do encontro.

                                                                                     
 Uma pausa para a foto: alunos da Universidade Notre Dame ,a professora Arlete
 e Matheus (um dos irmãos responsáveis pela criação do LÊCOMIGO).
                                                                                 
Claudia ( LÊCOMIGO) e a professora Amanda , "a nossa
intérprete oficial."

Literatura Infantojuvenil. Ficamos com os títulos em inglês, os demais
serão doados  para outros espaços em que crianças e jovens
esperam por grandes aventuras.

Tour pela escola. Os nossos alunos e professores apresentam os espaços
aos alunos visitantes.
Nessa escola se apende a ler e a melhorar o mundo.


Para saber mais sobre o projeto, acesse aqui:
.

/http://www.lecomigo.org.br/

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Juntos nas leituras compartilhadas.

Felizes por passarem o intervalo na biblioteca.

Maria Beatriz, Gabriel Molinaro e Gabriel Sampaio estão cursando  o 1ºano do Ensino Médio, são  colegas de  sala desde o início do Ensino Fundamental II. Juntos  estão sempre frequentando o espaço mais gostoso da escola: a biblioteca. Foram quatro anos de muitas leituras e de grande disputa para ler primeiro  os livros novos que iam chegando, seja por meio de projetos governamentais , seja por meio de doações. Agora eles já não pegam tantos livros  em nosso espaço, pois têm acesso às bibliotecas municipais, e ao longo dos anos, foram montando seus próprios acervos. Quando se encontram aqui, em horário do intervalo, ou entre uma aula e outra, é para compartilharem suas leituras, bem como realizar empréstimos de seus acervos pessoais. Por meio deles, ficamos conhecendo as novas publicações destinadas ao público jovem. Os alunos que  passam por aqui vão também, recebendo dicas de leituras que foram realizadas por eles ao longo de quatro anos, aqui na biblio. Harry Potter, Nárnia, Senhor dos Anéis, Coraline, Percy Jackson, Cidade dos Ossos, Diário de uma banana, Goosebumps,Sherlock Holmes e muitos outros já  lidos e muitas vezes relidos por eles. Só para termos uma ideia, entre janeiro e início de maio , cada um já leu 25 livros.  São títulos cheios de aventura, suspense, fantasia, ficção científica. Quem lê muito adora conversar sobre o que lê, por essa razão eles trocam intervalos bem barulhentos, por um bom bate papo literário.

Da estante do Gabriel Sampaio. Ele empresta.

Da estante do  Gabriel Molinaro. Segundo ele,
o melhor livro de todos os tempos.

Aqui eles ficam muito a vontade. Falam de enredos, personagens , autores.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ao encontro de Mário e Oswald, no Paraíso.

Esbarro- intervenção  que traz o encontro fictício entre MáriOswald.

Modernismo Brasileiro nas aulas dos terceiros anos: Semana de 22, poesia, teatro romance. A língua falada do povo na poesia de Oswald e Mário. Desafio literário: Macunaíma . Leitura compartilhada, leitura silenciosa, leitura dramatizada, leitura em PDF, leitura na tela do celular. Muitas possibilidades, várias tentativas. Teve reclamação? Teve. Teve desistências? Teve. Mas quem aceitou o desafio,foi até o fim. E gostaram.  Mesmo  alguns achando que o Macunaíma "brincava demais"...
E não pararam por aí. A  professora passou pesquisa:  Mário e Oswald tornaram-se grandes amigos, mas a amizade foi rompida. Por quê? Será que o Oswald era aquele tipo de amigo que perdia o amigo, mas não perdia a piada? Será?
Coincidentemente, o Centro Cultural  de São Paulo realizaria  homenagem aos 100 anos de amizade entre esses  dois "gêmeos opostos e complementares que moldaram a cultura destes cem anos."
Cadão Volpato  é o atual diretor do CCSP e afirma : " nossa ideia com a Semana MáriOswald 100 anos de uma amizade é falar de tudo isso, da amizade, da ruptura, mas também dos caminhos espantosos abertos por esses artistas tão diferentes.  A programação foi bastante extensa com teatro, palestras, música, dança e exposições.
É claro que o convite foi feito aos alunos. É claro que algumas alunas fizeram questão em acompanhar a professora , nas atividades em que ela  pode participar. A exposição MáriOswald  fica até 20/08 e já há agendamento para visita com as turmas.
Para quem ficou curioso sobre toda a programação, segue o link:




Mural para homenagear e divulgar o evento.

Conhecendo o maravilhoso espaço cultural e vibrante.

Antes da mesa: Amizade e Ruptura

O cenário de ESBARRO, encontra-se em exposição.

 Garoa de Meu São Paulo ( Mário de Andrade)    
                  

Garoa do meu São Paulo,
-Timbre triste de martírios-
Um negro vem vindo, é branco!
Só bem perto fica negro,
Passa e torna a ficar branco.

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico.

Garoa do meu São Paulo,
-Costureira de malditos-
Vem um rico, vem um branco,
São sempre brancos e ricos...

Garoa, sai dos meus olhos.



PRONOMINAIS ( Oswald de Andrade)
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

As bibliotecas por Valter Hugo Mãe



Biblioteca Mário de Andrade

Bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem  está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se  entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.

O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.

Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.

Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra.

Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.

Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.

Crônica publicada no jornal das letras.


Ler é esperar por melhor.